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EXTRAÇÕES DA CANNABIS OU CONCENTRADOS



Os concentrados são formas de cannabis em que os elementos ativos são empacotados num formato mais concentrado do que seriam na flor de cannabis. O kief é a forma mais simples de concentrado. Outros exemplos incluem haxixe, BHO e concentrados extraídos com CO₂. Tecnicamente, as tinturas e comestíveis são concentrados, mas neste artigo iremos focar-nos nos concentrados que podem ser fumados ou vaporizados.


HISTÓRIA DOS CONCENTRADOS DE CANNABIS

Apesar da sua reputação "high-tech", os concentrados não são novidade. Eles tiveram origem no mundo antigo no formato de haxixe. O haxixe surgiu originalmente na China, mas ficou famoso pelo seu uso na Índia e no Médio Oriente.

O haxixe veio para a Europa no século XVIII, com escritores como Gmelin a detalhar as suas propriedades medicinais. A popularidade do haxixe cresceu após as Guerras Napoleónicas, quando as tropas francesas conheceram o haxixe no Egipto. A intelectualidade de Paris logo fundou o "Club des Hashischins", uma comunidade construída à volta do seu uso. Os seus membros incluíam Victor Hugo, Charles Baudelaire e Alexandre Dumas.

Ao mesmo tempo, o haxixe causou impacto na comunidade médica. Samuel Hahnemann, fundador da homeopatia, falou da sua eficácia em 1811 e no fim dos anos 1800 o haxixe estava a ser usado como tratamento para uma variedade de condições, incluindo insónias, dores, enxaquecas e problemas menstruais.

Porém, uma tempestade estava a levantar-se no horizonte. Com o surgimento da proibição das drogas no século XX, o haxixe logo se tornou um fugitivo, uma substância com um alvo nas costas. Com a Convenção Única sobre Drogas da ONU em 1961, o haxixe foi criminalizado globalmente e a era dourada do haxixe legal acabou.

O haxixe teve que se esconder, mas não foi derrotado. Marrocos tornou-se o líder mundial na exportação de haxixe, abastecendo o mundo com haxixe "barra de sabonete" de baixa qualidade e em elevada quantidade. Desde os anos 90, o Afeganistão recuperou o seu posto como líder mundial na exportação de haxixe, reintroduzindo o haxixe de qualidade no mercado global.

Como o haxixe se tornou clandestino, um novo tipo de concentrado surgiu. Nos anos 1970, tecnologistas da canábis usaram álcool, carvão ativado e mel para produzir o "hash oil", um concentrado com níveis maiores de THC do que o haxixe tradicional. O óleo de haxixe rapidamente ganhou popularidade e apareceu até nos ensaios MK Ultra da CIA como possível candidato para controlo mental.

A maior parte da história dos concentrados "concentra-se" nos últimos 20 anos. Em 1999, as instruções para a extração com butano começaram a circular na internet. Em 2005, o Canadian Budderking popularizou a técnica para produzir budder e o rig para dabs, uma maneira de consumir concentrados de forma rápida e eficiente. Desde então, os óleos de haxixe cresceram em popularidade e prestígio e provavelmente tornar-se-ão no rosto da indústria global de canábis.


TIPOS DE CONCENTRADOS

Os concentrados são divididos em duas categorias principais: os que são extratos e os que não o são. Os extratos são feitos com recurso a um solvente e geralmente são conhecidos como "hash oil". Os concentrados não-extratos incluem o haxixe, rosin hash e o kief. O bubble hash não é considerado um extrato, embora utilize a água como solvente - no mundo da cannabis, a água não é considerada um solvente.

Há duas formas de categorizar os extratos: conforme o solvente e conforme a consistência. Algumas categorias baseadas em solventes incluem o BHO, que usa o gás butano como solvente, o PHO, que usa o gás propano como solvente, extrações com CO₂, que usam CO₂ supercrítico como solvente, e extrações alcoólicas, que utilizam álcool.

Os extratos também podem ser categorizados de acordo com a consistência. Wax refere-se a extratos cerosos e opacos; sap refere-se a extratos gosmentos e transparentes; shatter refere-se ao extrato duro e transparente como vidro; pull'n'snap refere-se aos extratos com uma consistência tipo caramelo; budder refere-se a extratos com uma textura opaca e fofa.

As consistências diferentes podem ser atingidas ao variar a velocidade e condições sob as quais o extrato arrefece durante a produção. O budder, por exemplo, pode ser feito ao "chicotear" o extrato no seu prato de arrefecimento. Contrariamente à crença popular, a consistência tem pouco efeito nas propriedades medicinais ou psicotrópicas de um extrato.



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